Quantas páginas deve ter um currículo?
O seu currículo deve ter uma página se você está começando e no máximo duas se já tem alguns anos de experiência relevante. Mais do que isso quase nunca ajuda, a não ser em pesquisa, saúde ou carreira acadêmica, quando a vaga pede um currículo detalhado, como o Lattes.
Guias públicos dizem o mesmo. O material de currículo do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) indica entre uma e duas páginas. O guia de empregabilidade da Prefeitura de Londrina alerta que achar que mais páginas é melhor é um equívoco e pede objetividade.
O essencial em poucas linhas
- Começo de carreira ou menos de 5 anos de experiência: uma página.
- Muita experiência: duas páginas, no máximo.
- Foto: só se a empresa pedir.
- CPF, RG e outros números de documento: não coloque.
- Ordem: da experiência mais recente para a mais antiga.
O tamanho certo para a sua experiência
| A sua situação | Tamanho | O que entra |
|---|---|---|
| Estudante ou recém-formado | 1 página | Formação, estágios, projetos, cursos, idiomas |
| 2 a 5 anos de experiência | 1 página | Cargos recentes com resultados, habilidades principais |
| 5 a 10 anos | 1 ou 2 páginas | Segunda página só com experiências relevantes |
| Mais de 10 anos, liderança | 2 páginas | Cargos recentes detalhados, antigos resumidos |
| Pesquisa, academia | Conforme a vaga | Publicações, projetos, docência |
Esses números são uma referência, não uma regra fixa. Se você tem oito anos no mesmo cargo e não tiraria nada da primeira página, duas páginas podem fazer sentido. Se tem vinte anos de carreira mas só os últimos seis importam para a vaga, uma página bem escrita costuma convencer mais.
Por que uma página no começo
A primeira leitura do recrutador é rápida. Com pouca experiência, a segunda página quase sempre se enche de coisas que ninguém sente falta: uma lista longa de programas, um parágrafo de objetivos genérico ou detalhes da escola.
Sinais de que uma página basta:
- Você teve de um a três empregos, ou principalmente estágios e trabalhos temporários.
- Na segunda página só entrariam hobbies, referências ou a repetição da primeira.
- Os seus itens descrevem tarefas ("responsável por...") em vez de resultados.
Quando duas páginas fazem sentido
Duas páginas funcionam quando cada linha acrescenta algo: vários cargos com responsabilidade real, resultados que dá para medir e habilidades que precisam de contexto, como tamanho da equipe, orçamento ou área técnica.
A regra é simples: a primeira página tem que convencer sozinha. Coloque no topo o cargo que você busca, a experiência mais recente e os melhores resultados, e deixe para a segunda página as experiências antigas e os detalhes secundários. Se o recrutador parar de ler no fim da primeira página, ele ainda deve querer chamar você para conversar.
O que os guias públicos recomendam
Além do tamanho, o IFSC e a Prefeitura de Londrina dão orientações práticas:
- Dados pessoais: nome completo, endereço, telefone e e-mail. O IFSC sugere também o link do LinkedIn, se você tiver.
- Documentos: o guia de Londrina orienta a não incluir os números dos documentos. O IFSC só recomenda um número de registro quando a profissão exige, como a OAB.
- Foto: não é necessária. O IFSC diz para não colocar, a menos que a empresa peça.
- Experiências: da mais recente para a mais antiga, e só as que têm a ver com a vaga.
- Objetivo: curto e direto, mostrando por que você é um bom candidato.
O que cortar primeiro
- Experiências de mais de 10 a 15 anos atrás. Mantenha cargo, empresa e período, e tire o detalhe.
- Tarefas sem resultado. "Atendimento ao cliente" diz pouco. "Atendimento a 40 clientes empresariais, renovação de contratos de 70 % para 85 %" merece a linha.
- Hobbies sem relação com a vaga. O portal europeu de emprego EURES recomenda incluir interesses só quando têm a ver com o trabalho.
- Habilidades repetidas. O que já aparece nas experiências não precisa de mais uma linha.
- Frases prontas. Troque "proativo, comunicativo, com vontade de aprender" por um exemplo concreto.
Depois, adapte o que sobrou a cada vaga: destaque o que o anúncio pede e tire o que não combina. Um currículo direcionado quase sempre é mais curto do que um genérico.
Como ganhar espaço sem apertar
Diminuir a fonte é o pior recurso. Prefira:
- Colocar o período na mesma linha do cargo.
- Juntar contratos curtos na mesma empresa.
- Deixar cada resultado em uma linha, duas no máximo.
- Usar uma coluna só: modelos em duas colunas parecem compactos, mas os sistemas de recrutamento às vezes os leem na ordem errada.
- Manter margens confortáveis para a página respirar.
Os sistemas de recrutamento leem todas as páginas?
O tamanho é sobretudo uma questão para quem lê. Um sistema de rastreamento de candidatos (ATS) lê o texto do arquivo, e o que costuma dar problema é o layout: tabelas, colunas, caixas de texto e texto dentro de imagens. Para saber como o seu arquivo é lido, use o verificador de currículo ATS grátis (em inglês).
Checklist antes de enviar
- A primeira página convence sozinha: cargo desejado, melhor resultado recente, habilidades principais.
- A experiência mais recente primeiro, com resultados e não só tarefas.
- Nada de mais de 15 anos atrás em detalhe.
- Uma coluna, fonte legível, margens confortáveis.
- Em PDF, com um nome claro como
nome-sobrenome-curriculo.pdf. - Conferido com o anúncio: cada requisito que você atende aparece.
- No máximo duas páginas.
Como o JobAlert ajuda
Um currículo curto e claro rende mais quando você se candidata cedo, antes que as candidaturas se acumulem. O JobAlert envia por e-mail as novas vagas de páginas de carreira e sites de emprego que combinam com o seu cargo, o seu nível e a sua cidade, para você se candidatar enquanto o anúncio ainda é recente. O cadastro é em inglês.
Perguntas frequentes
Currículo de duas páginas é ruim?
Não, se a sua experiência pedir. O material do IFSC indica entre uma e duas páginas. O problema é a segunda página cheia de informação antiga ou que não tem a ver com a vaga.
Preciso colocar foto no currículo?
Não. O IFSC orienta a não colocar foto, a menos que a empresa peça, e o guia da Prefeitura de Londrina diz que você não precisa se preocupar com isso.
Devo colocar CPF e RG no currículo?
Não. O guia de Londrina orienta a não incluir números de documentos, e o IFSC só recomenda um número de registro quando a profissão exige, como a OAB para advogados.
Quanto mais páginas, mais chances?
Não. O guia da Prefeitura de Londrina chama essa ideia de equívoco e recomenda ser objetivo, sem informações desnecessárias.